Entre o "novo" e o "velho" ano


Interessante observar as peças que o homem prega em si mesmo. As ilusões que a sociedade cria pra que tudo parecesse diferente, novo e não repetitivo e não "de novo". Mais que isso, o homem cria novas eras, novos tempos, pra se sentir novo.

Dias, semanas, meses e anos. É evidente que necessitamos dessas divisões para nos organizarmos, termos noção do tempo, da história e etc. Que confusão seria se os dias fossem números corridos, se não fossem separados em horas e tivéssemos que nos orientar de acordo com a posição do sol e de acordo com as estações do ano. O tempo seria o tempo, e basta. Sempre o mesmo, sempre igual. No máximo, seria dia, seria noite, seria tempo de sol, tempo de inverno, tempo de primavera e outono. No mais, sempre tempo, sempre igual.

 O tempo é sempre o mesmo, as horas escorrem do mesmo jeito, o relógio gira da mesma forma, as estações se repetem ano a ano. Enfim, a terra continua girando. No entanto, existem valores inconscientes nisso tudo.

O homem precisa de dias, semanas, meses e ano. PRECISA. Precisa quase tanto como precisa dormir. Precisa alimentar o psicológico.
Precisa porque precisa ter noção de quando acaba o dia de hoje pra chegar o dia de amanhã, precisa porque tem que ter noção de quanto falta pro seu aniversario, casamento. Precisa ter noção de que está envelhecendo. Precisa saber que a semana ruim terminou, e que a que começa é nova, é diferente. Que nessa semana a dieta foi esquecida, mas na próxima segunda-feira ela vai ser posta em prática. Precisa saber que o dia ruim terminou, e que no dia de amanhã tudo será diferente. Que no dia de ontem teve azar, mas que no de amanhã terá sorte. Precisa, também, saber que o dia de hoje está quase terminando e que o dia de amanha talvez não será tão bom. Se o tempo fosse sempre o mesmo, quando novas inspirações iam poder começar? Quando pontos finais iam ser postos? Se o tempo fosse sempre o mesmo, quando nós iríamos mudar?

Mais que tudo, o homem precisa de um ano novo para pensar. Não é à toa que nessa época do ano as pessoas se lembram, relembram, mandam cartas, abraçam, se visitam, dizem que amam, enfim, agem. Porque se o tempo fosse sempre o mesmo, as pessoas não refletiriam. Quando a viagem é a mesma, quando o barco continuando andando, não tem porque consertar, arrumar, refletir. É preciso parar para por tudo em ordem, é preciso chegar para partir de novo. Tem coisas que só são percebidas quando o tempo termina, quando a viagem acaba.

Apesar de tudo ser sempre igual, de o tempo ser sempre o mesmo, tudo parece diferente. Na meia noite do dia 31, apenas um segundo separa o ano "velho" do ano "novo". Esse um segundo separa o que fomos do que queremos ser. Esse um segundo, apesar de ter um poder ilusório, tem poder, porque como já dizia o sábio Raul "...basta ser sincero e desejar profundo que você será capaz de sacudir o mundo...".

Feliz ano "novo"!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Escrever por escrever

A magia persiste

um dia antes dos próximos 11 meses que virão...