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Luiza

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Luiza entrou em nossas vidas quando nem sequer era Luiza. Chegou de um jeito despretensioso: causou pouco impacto e vivia jogada pelos cantos. Ela estava lá, sempre sem roupa jogada no quarto. A única coisa que importava sobre Luiza era a bolsinha que veio junto com ela, a bolsinha sim fazia sucesso. Aos poucos, tudo foi parando dentro da bolsinha da Luiza: roupas variadas, acessórios de cabelo, sapato e alguns objetos que tinham o status "importante" na semana. Ah, outro fato eram os sapatos de Luiza, esses até eram relevantes, mas difíceis de colocar e causavam irritação, ou seja, evitávamos pegar. E assim passavam os dias para a Luiza, estava sempre ali, mas também não estava... Não sei dizer ao certo porque Luiza era ignorada, uma boneca Estrela de cor preta, grande, com cabelo real, e -pasmem- Luiza fechava os olhos. Ela era grande, tão grande, que parecia um bebê real. Acho que por isso ela foi ignorada por um tempo, era tão grande que sua fiel escudeira nem conseguia s...

Sozinha

Ninguém viaja sozinho por opção. Viajar sozinho é algo que acontece, nunca é planejado. Se se pudesse escolher entre ir sozinho ou acompanhado, a maioria escolheria a segunda opção, porque ninguém gosta de ser sozinho. A própria palavra assusta. A solidão assusta. Ninguém gosta de viajar sozinho da mesma forma que ninguém gosta de ir ao cinema sozinho. Apesar de se estar completamente compenetrado no filme, e de não precisar de companhia pra isso, a maioria das pessoas precisa de alguém ali. Mais que isso: fazer sozinho o que se costuma fazer acompanhado dá vergonha, porque a própria sociedade espera que as pessoas não estejam sozinhas. A solidão assusta quem vivência e quem vê. Isso tudo tem um porque muito simples: todo mundo sabe que a felicidade é mais completa quando compartilhada com alguém que se gosta. Mas, indo sozinha por ai, a gente aprende a compartilhar a felicidade consigo mesmo. Viajando sozinha descobri que estar sozinha não é o mesmo que se sentir sozinha. Mas ...

Entre o "novo" e o "velho" ano

Interessante observar as peças que o homem prega em si mesmo. As ilusões que a sociedade cria pra que tudo parecesse diferente, novo e não repetitivo e não "de novo". Mais que isso, o homem cria novas eras, novos tempos, pra se sentir novo. Dias, semanas, meses e anos. É evidente que necessitamos dessas divisões para nos organizarmos, termos noção do tempo, da história e etc. Que confusão seria se os dias fossem números corridos, se não fossem separados em horas e tivéssemos que nos orientar de acordo com a posição do sol e de acordo com as estações do ano. O tempo seria o tempo, e basta. Sempre o mesmo, sempre igual. No máximo, seria dia, seria noite, seria tempo de sol, tempo de inverno, tempo de primavera e outono. No mais, sempre tempo, sempre igual.  O tempo é sempre o mesmo, as horas escorrem do mesmo jeito, o relógio gira da mesma forma, as estações se repetem ano a ano. Enfim, a terra continua girando. No entanto, existem valores inconscientes nisso tudo. O hom...

a rotina da cidade grande

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Acredito no transporte coletivo. Não apoio o uso do ônibus apenas pelo fato de ser uma das melhores, senão a melhor, solução para desafogar o trânsito, nem porque é mais ecológico, mas principalmente porque o ônibus força a convivência: ali dentro daquele espaço o comportamento das pessoas reflete o de uma inteira sociedade. E é por isso que minhas viagens de ônibus rotineiras nunca são tediosas. Adoro observar. Fico atenta o trajeto todo. Uma das coisas que mais me faz rir é ver as pessoas atrasadas verem seu ônibus se aproximar e começarem a correr, desesperadas. Os mais engraçados, me desculpem os gordinhos, são os gordinhos. Eles põem toda a sua agilidade em prática, tudo para não perderem aquele bendito ônibus. Porque perder o ônibus é desestruturar todo o dia, é como ser esquecido, é não dar oi para o conhecido cobrador, não ver as mesmas pessoas. Aliás, não é por acaso que surgem amores em viagens de ônibus. Tem sempre aquele conhecido desconhecido que pega o ônibus no mesmo...

Idealismo.

Ouvi falar que hoje, dia 25/09, é o dia do coração. Figurativamente pensei nos corações pacientes, naqueles que ainda sonham, idealizam um amor. Acredito que no início, o coração sonha com um príncipe/princesa, sonha com o momento certo, com atitudes certas, com cerimônias, pedidos oficiais, anéis, com relações estáveis, com relações definidas, explicáveis, apresentáveis. Sonhamos com tudo acontecendo no momento certo, na ordem certa, sonhamos que tudo seja como deve ser, que seja como a sociedade quer que seja. No início sonhamos com tudo que está no regulamento. O tempo passa e além de o amor acontecer como “não deveria”, às vezes nada acontece. É nesse momento que o coração deixa de ser idealista. O tempo passa e o coração simplesmente só quer que aconteça. Seja o que for. O coração se cansa e exige pouco, ou o mínimo. Que venha no momento errado, que seja complicado, enrolado, mas que seja. Que seja escondido, que seja errado, mas que venha. No fim, o coração só quer amor, seja...

EM QUEM CONFIAR?

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Os brasileiros vivem um impasse: ser contra ou a favor da hidrelétrica de Belo Monte. Desde que surgiu a ideia de construí-la, vários protestos ocorreram. Desde que começou a ser construída, a obra já foi interrompida no mínimo duas vezes, a última ainda na semana passada. É difícil saber em quem confiar – nos ambientalistas ou no governo -, pois é pouca e banal a informação que chega aos ouvidos dos cidadãos. Só o que sabemos é que o Brasil, num futuro muito urgente, precisará de mais energia, mas a hidrelétrica será construída em um local habitado por indígenas, alagará um pedaço enorme da floresta amazônica e não produzirá 100% da sua capacidade. Tais declarações tornaram-se certezas depois que celebridades globais gravaram um vídeo, que teve ampla circulação na internet, afirmando esses dados.O vídeo torna-se comovente àqueles que se importam com o meio ambiente. No entanto, no lugar dessa emoção, o senso crítico é que deveria ganhar mais força. Será mesmo que a hidrelétrica é ...

A magia persiste

O rádio foi o primeiro meio eletrônico a trazer informação e, por esse motivo, foi e ainda é considerado muito especial por várias pessoas. Como toda nova mídia, começou tímid, apenas lendo as notícias dos jornais e aos poucos foi mudando, desenvolvendo um estilo próprio e deixando de ser uma ameaça às mídias impressas. Assim como os jornais tinham suas referências, os rádios começaram a ter seus ícones. Aos poucos deixou de ser uma “caixa que sai som” e conquistou espaço na vida das pessoas. E o espaço tomado foi realmente importante. Numa era sem televisão, as pessoas  ligavam o rádio ao chegarem em casa. Quando sozinhas, ele era companhia e, além de tudo, era muito democrático: bastava ouvir para compreender, os olhos não serviam para nada. Aquela caixa era mágica, não se sabia da onde vinha aquela voz, mas ela trazia informações importantes. Era como uma visita ilustre em casa. Aproximava o agricultor do interior ao discurso do presidente. Depois inventaram a te...