EM QUEM CONFIAR?


Os brasileiros vivem um impasse: ser contra ou a favor da hidrelétrica de Belo Monte. Desde que surgiu a ideia de construí-la, vários protestos ocorreram. Desde que começou a ser construída, a obra já foi interrompida no mínimo duas vezes, a última ainda na semana passada. É difícil saber em quem confiar – nos ambientalistas ou no governo -, pois é pouca e banal a informação que chega aos ouvidos dos cidadãos. Só o que sabemos é que o Brasil, num futuro muito urgente, precisará de mais energia, mas a hidrelétrica será construída em um local habitado por indígenas, alagará um pedaço enorme da floresta amazônica e não produzirá 100% da sua capacidade.
Tais declarações tornaram-se certezas depois que celebridades globais gravaram um vídeo, que teve ampla circulação na internet, afirmando esses dados.O vídeo torna-se comovente àqueles que se importam com o meio ambiente. No entanto, no lugar dessa emoção, o senso crítico é que deveria ganhar mais força. Será mesmo que a hidrelétrica é tão ruim assim? Será mesmo que tal investimento não trará mais benefícios que prejuízos (sejam ambientais, sejam econômicos)? No youtube, um vídeo feito pelos estudantes da Universidade de Campinas (UNICAMP – SP) declara exatamente o contrário daquilo que afirmam os Globais, mas dá explicações coerentes e científicas dos porquês dessa grande obra.
Depois de olhar os dois vídeos, acredito que ainda seja difícil se posicionar. Por quê? Porque vivemos em uma sociedade que não crê nos seus estudantes, que não investe como deveria neles, e que não realiza que o futuro depende deles. Vivemos numa sociedade muito mais voltada ao glamour dos atores, voltada às massas, ao “que todo mundo pensa”. Uma sociedade com pouco senso crítico. Não sei quem foi o patrocinador do vídeo feito pelas celebridades, mas devo dizer que a idéia foi bastante brilhante e que os objetivos foram alcançados – basta olhar o número de acessos de um vídeo e do outro -, pois nesse país os famosos -mesmo sendo leigos- ganham mais crédito que nossos estudantes.
Acreditamos estar perto de sermos cidadãos de um país de primeiro mundo após tantas notícias sobre uma economia ascendente. No entanto, como declarou Alvaro Vargas Lllosa no 25°  Fórum da Liberdade, só chegaremos lá se investirmos em pesquisa e nos estudantes, dois assuntos que são resistidos por nossos políticos.  Portanto, segue abaixo os dois vídeos, pois só com os dois lados da moeda uma opinião pode ser
 bem formulada.





Comentários

  1. Acho ótima a discussão, eu mesmo já participei de alguns debates a respeito do tema. Acredito que infelizmente, não passa por um impasse dos brasileiros, mas de entraves jurídicos e burocráticos que travam uma vez que outra a angustia de construtoras e governo resolverem o problema da energia.

    E esse é problema fundamental: independente de pressões midiáticas globais (da turma do didi e da novela das nove) ou de posicionamentos acadêmicos (unicamp...) ou de um puxão de orelha da Comissão de Direitos Humanos da OEA, o que parece é que não há pressão política suficiente a ponto do governo levar isso a sério. E o que isso quer dizer? Instituições ultrapassadas ou desrespeitadas, desconectadas com nosso tempo e vida.

    Precisamos pensar em instituições fortes e de novo tipo de desenvolvimento. Pela minha experiência na Rio +20, tenho certeza de que infelizmente persiste um grande abismo entre o respeito (e a oitiva) aos povos históricos indígenas e a própria vontade da população e a elite que detém o poder de decidir, investir e construir. Isso acontece em grandes investimentos, mas também no suborno municipal aos falidos planos diretores de toda cidade que tem o mínimo de potencial e máximo de ganância.

    E o pior é que essa elite (de construtoras) é transnacional. A depredação dos recursos naturais como florestas, águas e nascentes é protagonizado por todos, indistintamente. E a energia, tema de Belo Monte, é um desses vértices de poder em que governo e empreiteiras – sob o imaculado discurso do desenvolvimento – novamente passam por cima de direitos, de instituições, de povos indígenas e de uma história irrecuperável.

    Por isso, não apenas respeitar, mas afirmar, assegurar e lutar por um novo tipo de desenvolvimento é o que irá nos diferenciar no futuro. Não sou contra energia ou empregos. Só tenho certeza que precisamos ter processos constitucionais democráticos que respeitem minorias, que todos os dias são aniquiladas por elites que são tão poderosas, que não devem nem mesmo ter facebook ou blogs.

    Há outras formas de energia, há outros meios. Mas é mais fácil, fazer de um jeito que alguns poucos ganhem bem mais dindin.

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