algo que ainda falta nesse mundo!
O ENEM ultimamente é motivo constante dos noticiários e conversas dos futuros universitários, antes de acontecer é aflição para muitos – devido a importância que tem, como único meio de ingresso em várias universidades- depois de ocorrido é frustração: alguns alunos do Ceará tiveram acesso a algumas questões. Nos últimos três anos – tempo em que o ENEM tem a dimensão e importância atual- nenhum foi livre de erro e corrupção, sempre seguido de uma intensa insatisfação daqueles que são vítimas, no entanto nada se faz além de reclamar.
O povo brasileiro não é um povo que se manifesta, a culpa no entanto não é somente nossa porquanto fomos sempre reprimidos. Além do mais, não se faz nada sozinho: algum protesto para ganhar repercussão suficiente a ponto de mudar alguma coisa precisa da indignação de muitos, a minoria – apesar de ter boas intenções- não é capaz de fazer nada. Por isso torna-se difícil mudar a situação do ENEM: muitos reclamam, poucos vão as ruas e mostram sua indignação a quem deve percebê-la. Se são poucos os que realmente se incomodam no Brasil, não serão eles a mudar alguma coisa, e normalmente esses poucos são os que menos problemas têm: jovens com condições suficientes para pagar quantos anos forem necessários de cursinho pré-vestibular.
Muito já foi dito sobre o ENEM, mas o que os jovens precisam é de mais indignação, indignação suficiente para saírem de casa e irem as ruas, os jovens precisam de mais indignação para pararem de discutir entre si e mostrarem essa insatisfação aos responsáveis por tal incompetência em um processo tão importante como é o ingresso a universidade. Não que os jovens sejam desinformados, tampouco conformistas – porque continuam a reclamar- porém precisam de força, força para parar de falar e agir.
Tal texto é motivo de uma desilusão minha (e acredito de alguns outros também) que passado o ENEM, passadas as reclamações em sala de aula, tivemos a idéia de sair nas ruas, e reclamar em voz alta. No entanto, somos poucos, muito pouco em volume para fazer a diferença, por falta de indignados nossas reclamações continuarão entre nós, e eles – os que merecem ouvi-las- continuarão tranqüilos.
P.S: Indignem-se, por favor!
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