e passou.

Há 10 meses atrás escrevi sobre um presente, um presente que estava em minhas mãos e eu estava prestes a abrirlo e a descubir o que tinha dentro daquele pacote.
Fazer um intercâmbio sempre foi algo desafiante para mim, não como um desafio para com as pessoas que eu encontraria ou para com as situações novas, mas era um desafio de mim contra mim mesma, tudo isso porque esse ano TINHA que ser bom. Não admitia falhas e decepções com as minhas expectativas.
Mas tudo começou mal. Sair do Brasil naquele setembro, nas vésperas daquela festa e no ritmo daquela vida era uma das últimas coisas que eu queria, era tudo tão bom, com tanta sintonia. Por causa disso, tudo aqui se tornou mais difícil, era tudo mais sem graça, tudo me entediava e me fazia sofrer. Alguns medos nasceram dentro de mim: eu tinha medo que eu não fosse feliz no meu intercambio, medo de não ter histórias para contar, medo que esse ano não valesse a pena. O meu desafio então foi o de fazer esse ano mexer comigo de alguma maneira.

10 meses passaram. Eu tenho certeza que poderia ter sido muito melhor do que foi se eu não tivesse tido alguns azares, mas fazer o quê? Tem coisas que só acontecem comigo. Foi exatamente assim, e assim tinha que ser. Até alguns meses atrás eu continuava a dizer que esse lugar não era pra mim. Mas eu fui pro sul e vi o quanto gosto dessa Lombardia, mas eu comecei a sentir falta de alguns poucos e bons amigos, mas eu resisti áquela escola. Tantas vezes respirei fundo e pensei: va beh, se não deu, paciência. Até que eu olhei pra trás e vi que eu não tinha me decepcionado, que sem dar conta tinha realizado todos os meus objetivos.
Hoje fui para Milão, a última vez dessa fase. Digo última vez dessa fase porque com certeza vou voltar para Milão. Oooopsss, voltar para Milão? Sim, hoje quando eu olhava aquela Duomo, toda branca de mármore, num fim de tarde com o sol que a iluminava e com o raro vento milanês que esventava meus cabelos pensava que eu tinha certeza que esse ano valeu a pena, que eu estava realizada com tudo e comigo mesma e que eu era feliz. E que sim, quero voltar para essa Itália.
Quando, há 10 meses atrás eu escrevi sobre um presente, o momento que eu escolhi para esscrever foi aquele no qual já com o presente na mão, sentindo a forma e o peso se inicia a abrirlo. Sempre naquele texto, escrevi que naquele momento no qual se abria o presente ao mesmo tempo se começa a tentar adivinhar o que é; mas, quem te deu o presente é alguém que te conhece muito bem. Terminando de rasgar o pacote, a expectativa se concretiza vendo que era realmente o presente que pesava.
Um intercambio é assim: no fim é exatamente como a gente pensa que seria. Porque um intercambio é feito por ti mesmo, e a gente sempre sabe o que está dentro da gente.
Por fim, a Itália com toda a certeza mexeu comigo e esse foi um ano muito especial. A Itália fez eu mudar e ver tudo de um modo diferente. Esse é o meu último post na Itália, mas quando eu chegar no Brasil continuarei a escrever, vamos ver como esses olhos vêem aquele Brasil. Até logo!

P.S: Obrigada a quem sempre leu os meus ingênuos textos...

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