efeitos da distância
Começo hoje trazendo um texto de Amyr Klink:
“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver.”
Talvez eu já tenho sido influenciada por alguns sintomas da distância...
O interessante de conhecer lugares que você escutou falar, que viu em imagens ou que leu em livros é porque quando conhece de fato, entende porque as coisas ali são como são, entende porque certas coisas funcionam ou não, entende porque o povo é como é e tem a história que tem. Também porque quando se viaja, se sente milhares de sentimentos novos que acordam ou adormentam milhares de coisas dentro de você, te fazendo perceber que você é maior do que pensava, e muitas vezes melhor do que pensava. Eu diria que quando você viaja conhece outros frios e outros calores, porque o tempo e as noções que as pessoas tem do tempo são bem diferentes em outros lugares, e no meu caso conhece também os caloríferos. Quando você viaja, conhece outras noções de certo e errado, que ajudam a transformar e construir teus princípios...Quando você viaja você sente e passa por situações que só a distância é capaz de fazer.
P.S: Amyr Klink nasceu em São Paulo e é um grande navegador.
Em 31 de outubro de 1998 iniciou o projeto "Antártica 360" - uma volta ao mundo pelo trecho mais difícil de ser realizada: a circunavegação em torno do continente gelado. Durante 79 dias, Amyr Klink enfrentou sozinho os mares mais temperamentais do planeta e muitos icebergs.
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